A revista Época parece ter se apegado ao tema. Mais uma vez, a semanal das editoras Globo volta a tocar no assunto “lésbicas” com uma matéria cujo título me eximiria de maiores comentários: “Ser bi está na moda”.
Bem, mas como o foco da história está na questão cerne deste blog, ou seja, visibilidade lésbica via mídia (TV + Cinema + Imprensa), me sinto obrigada a comentar alguns aspectos que me saltaram aos olhos neste texto da Época, que, antes de seguir neste post, vocês podem ler AQUI.
Acredito que existem depoimentos bem interessantes no texto que indagam até onde vai o uso do marketing e fetiche de duas mulheres juntas. Del, do Parada e do Leskut, pontua bem que essa estratégia de usar meninas se agarrando como um objeto de consumo (particularmente masculino) vem desde a exposição da dupla russa t.A.t.U. Uma psiquiatra também cede um depoimento relevante ao falar que : “Nem todas as pessoas crescem com uma definição tão absoluta quanto à orientação sexual. Muitas vezes é preciso amadurecer para chegar a uma identidade. E hoje existe uma maior permissividade para a experimentação.”
Agora um ponto. E vírgula.
Porque embora acredite na boa vontade das duas jornalistas que escreveram este texto, creio que existem algumas comuns (mas nem por isso justificáveis) falhas de argumento em alguns tópicos do texto.
A começar pelo primeiro parágrafo, que coloca no mesmo bolo Megan Fox, Fergie, Lady Gaga e Kelly McGillis. Os três primeiros exemplos são casos de pessoas atualmente super expostas na mídia que, sim, podem até se valer desse apelo “bissexual” como alguma estratégia de marketing. Mas inserir o nome de Kelly McGillis, a atriz de Top Gun que recentemente saiu do armário depois de um longo e tortuoso processo de auto-aceitação, aí já é tirar completamente a questão do contexto. Desconhecimento de causa clássico.
Segundo, concordo com o parágrafo em que se diz que a aceitação da homossexualidade ou bissexualidade feminina é bem-vinda quando vem “embrulhada num pacote delicado e feminino” que é o caso, por exemplo, de The L Word. Mas esse é um argumento problemático do ponto de vista do consumo do entretenimento de uma maneira geral.
Qualquer que seja sua opção sexual, é fato que a representação fictícia de uma realidade, particularmente em grandes produções de TV ou cinema, projete, antes de tudo, a beleza como um elemento de sedução. Quais os colégios que somam tanta gente bonita como Malhação? Que novela brasileira usaria como protagonistas pessoas fora de um padrão de beleza socialmente instituído?
É claro que, para quem é de fora, é muito mais “consumível” lidar com as lésbicas de The L Word do que o convencional modelo de “sapatão” que a sociedade faz. Mas também é claro que, o fato das mulheres de The L Word serem bonitas (assim como tantas outras séries que não me arriscaria citar aqui) é tão somente resultado de algo muito maior do que o fetiche da sexualidade. É algo que obedece a um padrão que, desde os tempos antigos, associa a beleza a valores como virtude. Não tem como lutar contra isso. A não ser que, de uma hora pra outra, as pessoas mudem de canal e saiam da novela das oito para assistir a documentários sobre a dura realidade da América Latina. Pouco provável.
Em outras palavras: The L Word e outras tantas séries que trazem mulheres lindas se amando são, sim, a nossa representação “real” da “ficção”.
Por fim, só mais uma observação. O último parágrafo da matéria fecha o seguinte texto: “(é preciso) Lembrar às garotas, em casa, que nem tudo o que seus ídolos fazem ou dizem que fazem precisa ser imitado. E que tampouco precisam se deixar levar pelos garotos a fingir que são o que não são.”
O texto tenta nos fazer acreditar que, de fato, a bissexualidade feminina entre adolescentes hoje é muito mais resultado de uma exposição midiática do que de uma vontade própria.
Novamente me pergunto: até que ponto a construção do ideal homem e mulher não é, ela própria, resultado de uma exposição (milenar) do que a mídia e a opinião pública cria? É preciso lembrar que nós somos, também, resultado das referências que possuímos.
Vai que toda essa “moda”, como diz a matéria, venha a ajudar muita gente a se conhecer melhor…
ps.: perdão pelo texto comprido e sem foto. Mas é dessa vez eu precisava dar um tom sério aqui.




Nossa li e bati palmas!
As vezes jornalistas não tem total referencia sobre o assunto e acabam fazendo essa bagunça!
PS: Colocar o comentário da Del e depois lembrar dela só no leskut foi foda eles podiam ver que hoje ela comanda um dos maiores sites GLS do pais,e fazer como vcs que colocaram o Parada junto com a descrição! Aff
Do mais grande texto ;D
Fiquei pensando nessa última parte, sobre a bissexualidade hoje em dia estar na moda pela exposição homossexual na mídia. E… ser hetero, por acaso, não é também uma consequência da sociedade e da mídia?
A gente assiste mil novelas e filmes mostrando amor heterossexual, crescemos com nossos pais biológicos/adotivos ensinando que o amor deve ser heterossexual, ainda não tivemos o prazer de assistir nenhuma série completamente lésbica/gay nos canais abertos da tv, nenhum filme lésbico é Cartaz Milhonário no Brasil.
Será que existem, também, milhares de “heterossexuais” que só são hetero pela “lavagem cerebral” que sofrem desde o útero?
As pessoas não SE TORNAM bissexuais/homossexuais por exposição à tal ou por influência de quem quer que seja. Ou a pessoa nasce bi/homo e se descobre com o tempo/logo cedo/whatever… ou… ela pratica relações homossexuais com COMPLETA CONSCIÊNCIA do que está fazendo (pra chamar atenção, provocar alguém, experimentar, etc).
E outra… uma guria que não gosta de mulher, não vai conseguir enganar ninguém de que gosta. Se ela consegue beijar uma, fazer sexo com uma, é porque ela gosta!!! Talvez seja muito equívoco da sociedade dizer que agora é moda. Pode ser que, por tudo estar mais liberal, 90% da população descobriu que gosta e não sabia porque ainda não tinha experimentado. Eu mesma tenho uma teoria de que todo mundo nasce bissexual.
E se esse 90% estiver saindo do armário? Só porque todo mundo criou coragem de uma vez só, não significa que metade deles seja poser. Isso seria um tipo de preconceito.
Muitos adolescente estão sofrendo com isso hoje. Eu fui vítima disso. Quando contei aos meus pais, 5 anos atrás, a primeira coisa que eles disseram foi “Ah, isso é moda!!! Passa!!!”. A pessoa tenta mostrar quem ela é de verdade e é obrigada a ouvir que ela só está seguindo uma tendência.
BISSEXUAL, HOMOSSEXUAL, POSER, MODINHA, SEJA O QUER FOR: EU ACEITO!!!!!!!!
Ninguém pode adivinhar o dia de amanhã, ninguém pode julgar os sentimentos dos outros. Cada um faz o que quiser com o próprio corpo.
A sociedade pegou mania de criar paradigmas; e até quem se diz “nem um pouco preconceituoso” está caindo na rede.
VAMOS ACORDAR!!!
opa… empolguei. O_O HUARHAEUAEHAEUH sorry
Marián Aguilera, disse em entrevista, que todo o ser humano nasce bi…..O que acham??
Lu,
Ana Carolina disse uma vez em entrevista no programa do Jô algo parecido.
Disse que todo ser humano nasce “… , médium e bissexual, mas só alguns desenvolvem…” [tem alguma outra coisa antes, mas sinceramente não lembro]
Eu acho no mínimo reflexivo…
Decooy
Autêntico seus cometários. Concordo total com vc. Ninguém é lésbica ou bi porque tá na moda, a pessoa nasce assim e ponto. Fim.
Concordo tb guando Marian diz que todo mundo nasce bi, entre os 3 e 10 anos tudo é normal, depois aí sim começamos fazer nossas escolhas.
È ai o bicho pega
em um outro post eu comentei q estava preocupada com a explosao de lesbicas e bi q os seriados estavam mostrando q um dia era het no outro bi ou les e q tdo parecia ser modismo…dai uma pessoa q comentou q nao era modismo e sim a visibilidade… e em partes concordo com a materia q esse boom ai de lesbicas na midia tah virando modismo pq realmente depois de tlw tdo q eh relacionado a esse assunto vende q nem agua entao nao podemos culpar as pessoas q nao vivem ou nao acompanham o universo L por achar q tdo issu eh modismo
“(é preciso) Lembrar às garotas, em casa, que nem tudo o que seus ídolos fazem ou dizem que fazem precisa ser imitado. E que tampouco precisam se deixar levar pelos garotos a fingir que são o que não são.”
Nossa, essa colocação é uma pedra no meu sapato. Faz parecer que ser bi (mais ainda do que ser les) é uma coisa enormemente aceita e até encorajada, quando é exatamente o contrário. Existem muito mais meninas que querem ter alguma experiência com outra menina mas tem medo das consequencias do que o contrário. Até parece que é super fácil assim. “Mãe, a Lady Gaga beija meninas, então eu também vou.” “Uhul, vai fundo, filhá!”
Acho um absurdo a mídia ficar tratando o caso como “modinha” quando há tanto por trás disso. Estamos tratando de sexualidade humana e de sua extensa diversidade. E na maneira como é buscada uma compreensão dessa diversidade, mais visibilidade e menos preconceitos. Se as meninas andam beijando mais meninas, não é porque a Megan Fox ou a Fergie disse que é legal. É porque elas se sentem atraídas e querem experimentar. Nem tudo é “porque meu ídolo faz” ou “isso vai me atrair mais garotos”.
Aliás, já basta, pra mim, o preconceito contra os bissexuais. Todo mundo tá sempre achando que é modinha ou coisa de gente indecisa, até mesmo entre os LGBTT.
A matéria tem pontos positivos, mas no geral, acho bem fraquinha de argumentos.
Nossaaa.. tô acompanhando toda esse papo bacana entre vcs e tô adorando, meninas! =)
Bem, vcs sabem que nas antigas era muito foda pra sair algo gay na mídia, né? Todo mundo caia em cima. Nos tempo de hoje… as coisas mudaram, lógico. Mas, será que só por causa dessas cenas maravilhosas que a gente adora assistir? Ah, gentchee, no creio! A mídia é safada, muitas vezes… usa as pessoas. Por isso, acredito que muita gente vinculada a ela faz e diz muita besteira só pra vender mais (falando dos machistas “o erro do Brasil”). Porem, existem tbm aquelas pessoas bacanas, verdadeiras, de caráter que realizam seus projetos, pensando em abrir a cabeça dessa galera toda e derrubar de uma vez por todas o preconceito, seja ele qual for (mesmo a pessoa querendo fazer algo legal, a mídia dá um jeito de comercializar a parada, claro, beiber! ela nao tá nem morta!!! Ela quer é vender horrores e doa a quem doer!!!).
Ai… falei demais!! rsrs… de tudo isso, o que eu (humildemente) quis falar, foi que: Eu não acho que ser bi/gay/lésbica/pan/penta/hexa/etc; tenha algo a ver com o que a mídia ta dizendo: “faça assim!”. Acho que as pessoas já experimentavam e já eram totalflex/lésbica “machinho/”feminina”… claro! PQ ninguém tava morta²! Pra mim, a diferença de ontem pra hj é definida pela seguinte frase que eu acabei de bolar: “e a gente fazia “safadeza”(no sentido nordestino, claro) por debaixo dos panos” A galeri já fazia horrores e ninguém sabia, minha filhaa! Era babado! =) =D =****
obs: Eu ia falar mais alguma coisa, só que agora eu esqueci.
Beijosss e que venham mais lésbicas maravilhosas na tv! =P Harebába (como diz caminho das índias) kkkkk
Eita… EU falei que antigamente era mais difícil de se assumir que ontem, mas, ainda é muito difícil, eu sei. =)
Bom,tenho 36 anos e somente no início do ano passado assumi para mim mesma que eu era lésbica,nunca consegui me sentir a vontade em um relacionamento hetero,ainda estou aprendendo a entender porque um sentimento tão lindo como esse:amar uma mulher,pode ser considerado e tachado de tantas coisas sem nexo. Mas tudo tem fundamento nas teorias criadas para o certo e o errado.Hoje estou morando com uma mulher maravilhosa,me sinto amada,desejada e desfruto de emoções e sentimentos que não conhecia.Para entender melhor,até a depressão que me acompanhava a vida toda…acabou. Me sinto completa,estar com a Ana Paula é maravilhoso.O ser humano não suporta o que não consegue entender.Em minha opinião,o que deveria acabar,além da homofobia em si,seria o estereótipo que se cria em torno do homossexualismo,nascemos com essa opção,tbm ouve de alguns que era uma fase e iria passar,mas ser lésbica,amar uma mulher,viver e ser feliz com ela,é o meu estado de vida,é algo que me realiza e me faz bem,sou assim.E tenho certeza que quem nos criou sabia como seríamos e nos ama muito.COMO SOMOS.
Adoro quando leio textos inteligentes e esse da Carol está muito bom!
Bons “contra-argumentos” para a reportagem da revista, pena é não aparecer também na revista esses contra-argumentos.
Claro que as lésbicas não são só as representadas no TLW, mas as heteros também não são só as do Sexo e a Cidade!!!
curioso isso, a mídia ter A força de interferir a ponto de “mudar” a sexualidade de alguém. a conversinha é essa, videogame faz os jovens matarem, ouvir metal é coisa do tinhoso e essas lésbicas são muito bonitas, vão influenciar minha filha. o que vejo são algumas pessoas que experimentam traquilizadas por um certo modismo, é verdade, mas todas pq tavam afim. e isso entra nas loucuras da juventude, do trago na maconha, na transgressão” . o problema maior é se descobrir gay pq aí num pode. aí esta mesma mídia te empurra pro armário, a não ser que voce seja linda e feminina, porém discreta. se for artista vão dizer que você quer chamar atenção…